O Resgate


O homem cambaleou, empurrado violentamente para dentro da escuridão da cela. O odor forte de mofo e excremento quase o asfixiavam. Depois de um período de alívio, ele estendeu as mãos atadas para frente, tateando para achar a parede e finalmente se jogou ao pé da parede num ato de desespero. Todos seus sentidos estavam amortecidos, sua mente descrente lutando para compreender a terrível realidade do veredito. Mas com o passar dos minutos, a compreensão voltava, esmagando as últimas esperanças num violento golpe final. Ele estava condenado a morrer!

Ele se contorceu em uma convulsão de agonia. "NÃOOOOOOOOOOO!" ele gritou, sabendo plenamente que não havia ninguém para ouvi-lo. Violentamente ele se debatia, rebelando-se contra a terrível expectativa que o aguardava.
As horas se passaram, e com o seu passar, a ira e revolta que o dominavam se acalmaram e pela primeira vez ele considerou todas as coisas que o trouxeram até ali. Começando com sua infância - as instruções de seu pai, as lágrimas de sua mãe. Os olhos implorantes de sua irmã enquanto ele lhe dava tapas. As noites de farra quando jovem, - aventuras na madrugada enquanto seus pais criam que ele estava dormindo - as mentiras, os furtos. Tudo isso ele via com novos olhos, olhos de quem não tinha mais nada a defender. A triste condição da pessoa que ele se tornara se desdobrou perante os seus olhos de um ponto de vista que ele nunca antes tinha considerado.

O peso da sua culpa caiu então sobre ele, uma força esmagadora, uma voz que ressoava em sua consciência - aquela voz que ele tanto tinha suprimido, que ele rejeitou a ponto dela calar-se. Como ele encararia a morte? O que viria depois? Como ele encararia o Juiz supremo que o aguardava no além?

Na escuridão da cela, a solidão o apertava, o silêncio o perturbava. Ele queria apenas uma chance para pedir perdão a seus pais, reparar os danos a quem ele feriu. Ah se ele pudesse só trazer de volta da cova aqueles que ele matou para expiar o sangue que manchava suas mãos! Mas como dizia o antigo provérbio, "certas coisas não se podem recuperar".

"Deus", ele sussurrou na sua angústia - "eu sei que não mereço nada, nem que o Senhor me ouça. Me sinto tão sujo, tão terrível! Mas só peço uma coisa... tenha misericórdia... não sei - eu mereço tudo que vou ganhar, mas eu faria qualquer coisa para poder reparar o que fiz. Se o Senhor me desse a chance... mas sei que é impossível. Sou um miserável, um imprestável...".

O dia da execução raiou como qualquer outro, e um fio de luz clareou a penumbra da cela numa tentativa frustrada de repelir as trevas. A porta da cela se abriu, e o homem submissamente se deixou levar ao local de sua morte. Em silêncio, ele aguardava atrás da plataforma de execução enquanto o algoz terminava seus preparativos. Subitamente ele sentiu uma presença e uma mão pesou em seu ombro.

"Amigo," disse uma voz suave. "Vim tomar o seu lugar."

Sem entender ele ergueu os olhos ao rosto sereno de um homem comum. Um semblante enrugado com marcas do tempo e do sofrimento lhe espiava com compaixão, bondade, e por incrível que parecesse, tinha amor naqueles olhos. "Sim, senhor? O senhor quer o que de mim?"

"Vim tomar o seu lugar. Você está livre."

"Mas... como...?" As palavras certas não vinham. Será que aquele homem de olhar sereno e manso tinha perdido a razão? Como poderia ele morrer no lugar de um criminoso tão odiado?

"Amigo, eu vou no seu lugar. Você é um homem livre!" - repetiu o estranho.

"Mas, você nem me conhece! Como você vai fazer uma coisa dessas por mim?"

"Sim, meu amigo! Estou fazendo isso por você! Por amor a você! Agora só peço que faça uma coisa por mim."

"Sim, sim... Qualquer coisa, não importa o quê, farei tudo por você!" - ele falou, ainda um tanto incrédulo de que tudo aquilo não era apenas um sonho.
"Cuide da minha família e dos meus afazeres." E virando-se, o estranho subiu na plataforma entregando-se calmamente nas mãos do algoz.

Até esse ponto historiadores concordam com a ordem dos fatos desta comovente história, mas a partir daí surgem divergências sobre o que realmente aconteceu. Uns dizem que o criminoso liberto montou uma instituição de caridade, que ele acolheu órfãos e deu sopa para mendigos. Outros dizem que ele criou um partido político e lutou para abolir a pena de morte, ou que ele se retirou para um lugar isolado para praticar meditação e fazer penitência. Ainda outros dizem que ele simplesmente voltou para sua família, reformou sua vida e passou a visitar semanalmente o túmulo do estranho que lhe salvou a vida, deixando a cada vez um buquê de rosas e fazendo uma prece pela alma do falecido. Esses contam que a partir daí ele foi próspero, ganhou uma grande fortuna e dedicou-se a difundir e preservar na história a lembrança do seu salvador.

Em todas as versões da história que eu já ouvi por aí, não se ouve do cumprimento do último e maior desejo do homem que, por amor, deu sua vida no lugar do criminoso. Por isso eu pergunto:

O que faria você?

Que tamanha dívida você teria com aquele que morreu no seu lugar?

Quanto do seu tempo poderia pagar tamanho favor?

Você ainda teria o direito de conduzir sua vida e seus próprios interesses?

Será que tudo que lhe resta de fôlego não pertenceria agora aos desejos daquele que salvou sua vida?

Considere!

Essa história é verdadeira, embora não seja exatamente como eu a relatei aqui. É uma das histórias mais famosas do mundo - o sacrifício que Deus fez enviando seu filho Yahshua para morrer no nosso lugar.

Assim como todo ser humano que já viveu, eu e você estamos debaixo da condenação de morte[1]. Não por sermos pessoas terríveis - muitos de nós podemos nos considerar bons cidadãos, pessoas legais e etc. Mas a nossa condenação deve-se ao fato que todos nascemos com a tendência ao pecado[2].

Quantas vezes você ignorou alguém que precisava de ajuda[3]?

Quantas vezes você desobedeceu ou até mesmo desrespeitou seus pais[4]?

Quantas vezes você fez coisas que magoaram os sentimentos de outro ser humano?

Então mesmo que não cheguemos ao ponto do criminoso da nossa história, caímos muito aquém do padrão de justiça para o qual Deus Criador nos criou para viver e estamos destinados a morrer e enfrentar as consequências de nossos pecados[5].

Mas, no meio de tudo isso existem boas novas. O juízo que estava para cair sobre nós, pelos pecados que nós cometemos e pelos quais merecemos pagar, Yahshua, um homem inocente de qualquer culpa, tomou sobre si e morreu no nosso lugar[6].

Isso você provavelmente já ouviu da boca do padre, ou no folheto que recebeu de um par de missionários gringos. Mas o que difere a minha história da que você já conhece?

Pode ser que você nem mesmo acredite na lenda que contam sobre Ele. Afinal, o que resultou de Seu sacrifício além de templos luxuosos, instituições de caridade, slogans políticos, reformas morais ou esquemas estelionatários? Onde está o resto da história?

Você sabia que o mesmo Yahshua que morreu por nós, também deixou seus últimos desejos registrados para que os cumpríssemos? Durante toda sua vida, e especialmente logo antes de sua morte, ele deixou bem claro as condições para aqueles que quisessem aceitar o seu sacrifício[7]. Será que o sistema religioso de hoje cumpre seus últimos e mais importantes desejos? Ou você acha que basta crer e aceitá-lo como Senhor e Salvador pessoal, recitar uma prece e seguir com a sua vidinha no sistema?

O que foi que Yahshua disse para aqueles que O seguiram? Qual foi o chamado que Ele fez para seus discípulos?

Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também a própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo.
Lucas 14:26-27

Será possível que Yahshua quis dizer isto mesmo? Pergunte a qualquer pastor evangélico e ele vai dizer que não, que você apenas tem que estar disposto a fazê-lo se for necessário. "Mas pastor" eu pergunto, "como é que você quer que eu leve o seu evangelho a sério e acredite nesse Jesus que você está pregando, se você está me dizendo que não preciso fazer o que Ele disse?"

Amigo, não estou pedindo que você creia que existe um Deus e muito menos um salvador baseado nas histórias que você ouviu até hoje. Somente quando você vir a realidade das coisas que Ele pediu sendo executadas - pessoas cuidando umas das outras, deixando tudo que têm para segui-lo, sendo um como ele desejava[8], cumprindo com todas as outras exigências do evangelho - e ouvir a mensagem que Ele pregou sendo levada a sério, você vai realmente acreditar que Ele é verdadeiro[9].

Uma vez que você se dá conta da condenação que você merecia e do preço que Ele pagou, que direito você tem sobre sua própria vida[10]? Será que você não serviria a família dEle, cuidaria dos órfãos dEle[11], serviria a Ele com tudo que você têm? Será que o tempo que lhe resta realmente é seu ou será que agora pertence a Ele[12]?

Referências

  1. ^ "Romanos 6:23"
  2. ^ "Romanos 3:23"
  3. ^ "1 João 3:17"
  4. ^ "Efésios 6:1, 2 Timóteo 3:2"
  5. ^ "Hebreus 9:27"
  6. ^ "Isaías 53:4-5, Marcos 10:45"
  7. ^ "Marcos 10:27, Lucas 14:26-30, João 17:21-23"
  8. ^ "João 17:21-23"
  9. ^ "João 13:35"
  10. ^ "1 Coríntios 5:15"
  11. ^ "Tiago 1:27"
  12. ^ "1 Pedro 2:9-10"